Na manhã desta sexta-feira, o Dr. Fernando Ranghetti trouxe um forte alerta de saúde pública em sua participação semanal na KOM FM e TV. Com a proximidade do Dia Mundial Sem Tabaco, que ocorre neste domingo, 31 de maio, o médico dedicou o espaço para desmistificar a falsa segurança dos cigarros eletrônicos (vapes) e alertar sobre os impactos devastadores do tabagismo na sociedade.
A ilusão do cigarro eletrônico
Ao introduzir o tema do Dia Mundial Sem Tabaco — classificado por ele como um “grande e velho inimigo da saúde de toda a humanidade” —, o médico explicou que, embora as campanhas tenham reduzido o número de usuários do cigarro tradicional nos últimos anos, o surgimento do cigarro eletrônico representou um retrocesso perigoso.
“O cigarro eletrônico apareceu como um ‘salvador da pátria’ há cerca de 15 ou 20 anos. O pessoal começou a largar o tabaco comum e passou a fumar o eletrônico acreditando que esse instrumento não teria efeitos colaterais. Hoje, já sabemos que ele é responsável por um número igual ou maior de lesões cardiovasculares e pulmonares”, explicou Ranghetti.
O médico apresentou dados de um estudo desenvolvido nos Estados Unidos entre 2015 e 2018, que acompanhou 155 mil usuários de vape. O resultado é alarmante: assim como o cigarro comum, o dispositivo eletrônico aumenta as chances de câncer, mas com um agravante temporal. “Ele faz aparecer o câncer 20 anos antes do que o cigarro tradicional, pelo uso mais precoce de adolescentes de 15 a 18 anos e adultos jovens”, revelou.
“Não tragar não evita o mal”
Respondendo a um mito comum de que “fumar sem tragar não faz mal”, o Dr. Fernando foi categórico: “Isso é mentira. Existe a absorção sublingual na boca, que tem a capacidade de absorver os poluentes e, principalmente, a nicotina que causa a dependência. Mesmo sem chegar ao pulmão, as substâncias passam para a corrente sanguínea. Está sendo tóxico da mesma maneira”.
O perigo invisível do fumo passivo
A bancada destacou o dado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que aponta que mais de 1 milhão de pessoas morrem anualmente no mundo devido à exposição ao fumo passivo. Dr. Fernando chamou a atenção para o fato de que quem está ao lado do fumante inala uma fumaça ainda pior.
“O fumante ainda tem a fumaça passando pelo filtro do cigarro. Quem está ao lado inala sem filtro nenhum, recebendo mais poluentes e substâncias tóxicas. Fumar ao lado de uma gestante é uma irresponsabilidade sem tamanho, pois expõe o feto antes mesmo de nascer. Já as crianças que convivem com fumantes no mesmo ambiente desenvolvem desde mais infecções de ouvido até asma e bronquite”, asseverou o médico.
Benefícios de parar de fumar
Para incentivar quem deseja abandonar o vício, o especialista detalhou uma linha do tempo com a impressionante capacidade de recuperação do corpo humano após o último cigarro ou vape:
- Após 20 minutos: A pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
- Após 2 horas: Não há mais nicotina circulando no sangue.
- De 12 a 24 horas: Os pulmões passam a funcionar melhor.
- Após 2 dias: O olfato e o paladar melhoram significativamente.
- Após 3 semanas: A respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
- Após 1 ano: O risco de morte por infarto é reduzido pela metade.
- Após 10 anos: O risco de sofrer infarto ou desenvolver câncer cai drasticamente, igualando-se ao de uma pessoa que nunca fumou na vida.
No Brasil, a campanha de sensibilização do Dia Mundial Sem Tabaco é promovida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). O comentário do Dr. Fernando Ranghetti vai ao ar todas as sextas-feiras pela manhã na KOM FM e TV.
Assista na íntegra: