Na manhã desta sexta-feira, dia 26, em seu comentário semanal na KOM, o Dr. Fernando Ranghetti trouxe um alerta urgente e detalhado sobre os perigos do uso de cigarros eletrônicos (conhecidos como vapes ou pods), com foco principal no público jovem. O tema também foi objeto de uma palestra recente realizada pelo médico e pela cirurgiã-dentista Dra. Juliana Soares no Colégio Regina Coeli.
Para ilustrar a gravidade do assunto, Dr. Ranghetti iniciou o quadro exibindo a comparação entre duas imagens reais de laboratório: um pulmão saudável de alguém que nunca fumou e um pulmão completamente escurecido pelo tabaco. O médico alertou que o vape tem o potencial de causar destruição semelhante, mas de forma muito mais rápida.
“Antigamente, precisávamos de 5, 10 ou 20 anos de tabagismo para que um paciente desenvolvesse lesões pulmonares severas. Hoje, com o vape, o jovem pode desenvolver uma lesão inflamatória grave no pulmão a partir de 90 dias de uso. É uma situação muito grave, e temos crianças de 12 a 15 anos utilizando esses dispositivos”, alertou o especialista.

A armadilha dos sabores e a falsa segurança
O médico desmistificou a ideia de que o aparelho emite apenas “vapor de água saborizado”. Ele explicou que um único vape pode conter até 120 vezes mais nicotina do que uma carteira de cigarro tradicional, gerando uma dependência química extremamente rápida.
Outro ponto crucial destacado pelo Dr. Ranghetti foi a composição química dos produtos. Os fabricantes utilizam aromatizantes (como sabores de melancia, menta e baunilha) que foram desenvolvidos exclusivamente para o sistema digestivo (comida) e nunca para serem inalados. Ao serem aquecidos e levados ao pulmão, misturam-se a substâncias altamente tóxicas como propilenoglicol, glicerina, formaldeído, acetaldeído e metais pesados como níquel, estanho, chumbo e zinco. O resultado é um risco direto para o desenvolvimento de câncer, bronquite crônica, enfisema e insuficiência respiratória.
Sinais de alerta para pais e familiares
Diferente do cigarro convencional, o vape não deixa um odor forte na roupa ou nos dedos amarelados, o que torna a descoberta por parte dos pais muito mais difícil. No entanto, o médico apontou caminhos para identificar o uso:
- Saúde bucal: Citando a participação da Dra. Juliana Soares na palestra, o médico revelou que o vape causa uma corrosão no esmalte dentário. Uma visita ao dentista pode facilmente identificar o hábito.
- Mudanças físicas e de comportamento: Pais devem ficar atentos caso o jovem comece a apresentar tosse frequente, queixas de falta de ar, dores de cabeça constantes, indisposição, distúrbios de sono, além de transtornos de humor e déficit de atenção.
Ao final, o médico lembrou que, embora a venda, a distribuição e o transporte do vape sejam proibidos no Brasil, o acesso dos jovens ao produto infelizmente tem sido facilitado, exigindo vigilância redobrada das famílias.
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