Dando sequência à série de matérias especiais diretamente da Expointer 2026, a KOM FM e TV visitou o setor de Bubalinos no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O repórter Tiago conversou com Larissa Severo, estudante de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do grupo de pesquisa e manejo da espécie.
Natural de Arroio dos Ratos e com raízes no meio rural, Larissa compartilhou os bastidores do trabalho acadêmico da universidade, que une preservação genética, produção de leite e capacitação dos futuros profissionais do agronegócio.
A evolução do rebanho e a genética premiada
O projeto com búfalos na UFRGS teve início entre 2017 e 2018, impulsionado pela doação das primeiras matrizes por parte da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Abrasbufalinos). O que começou com poucos exemplares se transformou em um rebanho estruturado de aproximadamente 70 animais com foco na aptidão leiteira.
Entre as estrelas do estande da universidade em Esteio, destacam-se matrizes emblemáticas e suas proles:
- Cristal: Matriz que conquistou o título de Grande Campeã da Expointer na edição anterior. Em 2026, manteve o alto nível morfológico vencendo a categoria Vaca Adulta e alcançando a terceira colocação geral na feira.
- Baronesa: Matriz exposta ao lado de seu bezerro, Guilherme, de apenas 5 meses — cujo nome segue a nomenclatura padronizada pelo grupo de alunos, que adota uma letra do alfabeto por ano de nascimento (sendo a letra ‘G’ a do ciclo atual).
Manejo diferenciado e a quebra do mito da agressividade
Um dos pontos mais fascinantes ressaltados por Larissa durante a transmissão foi o comportamento dócil da espécie quando submetida ao manejo correto desde cedo.
“Há um grande mito a ser desmistificado sobre a agressividade dos búfalos. Quando são manejados desde pequenos, eles demonstram uma docilidade incrível, sendo inclusive mais tranquilos de lidar do que muitos bovinos”, explicou a futura zootecnista.
A estudante também apresentou particularidades fisiológicas da búfala leiteira que a diferenciam de raças bovinas tradicionais, como a Holandesa:
- Ordenha simplificada: A fêmea bubalina não exige múltiplas ordenhas diárias, podendo ser ordenhada apenas uma vez ao dia (geralmente no meio da manhã, por volta das 8h ou 9h).
- Convivência com a cria: O sistema permite conciliar a ordenha diária com a amamentação do terneiro, mantendo o bem-estar da mãe e do filhote sem perda de produção.
Vocação para o campo
Com o encanto descoberto nos corredores da faculdade, Larissa, que cursa a metade da graduação em Zootecnia, celebra a escolha de sua carreira e o contato diário com o setor agropecuário:
“Eu cheguei a tentar cursar Administração, mas é aqui no agro, lidando com os animais e com a zootecnia, que eu me sinto verdadeiramente realizada”, concluiu a estudante.
Assista à reportagem completa:
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