A preocupação com o futuro já faz parte da rotina de grande parte dos jovens que ingressam no mercado de trabalho. É o que revela a Pesquisa Perfil Aprendiz 2026, realizada pelo Centro de Integração Empresa Escola do Rio Grande do Sul (CIEE-RS) com 569 jovens gaúchos, divulgada nesta segunda-feira, dia 20.
Segundo o levantamento, 89,7% dos aprendizes afirmam sentir algum nível de ansiedade em relação ao futuro. Ao mesmo tempo, 43,7% apontam o crescimento profissional como principal expectativa para os próximos cinco anos, seguido da busca por estabilidade financeira (35,3%). Os dados revelam uma juventude que busca ascensão profissional, mas que também convive com pressões emocionais desde cedo.
Os indicadores ligados à aprendizagem demonstram resultados relevantes e positivos. No programa de aprendizagem (que alia formação teórica e experiência prática em empresas) 84,7% dos participantes afirmam que a experiência gera impacto positivo na vida profissional. Além disso, 87,8% relatam desenvolver habilidades valorizadas pelo mercado durante a aprendizagem, enquanto 56,1% desejam permanecer na empresa após o término do programa — demonstrando expectativa de efetivação e continuidade da trajetória profissional.
“Os dados mostram uma juventude que quer crescer, trabalhar e construir um futuro melhor, mas que também carrega inseguranças e pressão logo no início da vida profissional. O desafio das instituições e das empresas é criar oportunidades que aliem qualificação, acolhimento emocional e desenvolvimento humano”, destaca Lucas Baldisserotto, CEO do CIEE-RS.
Outro ponto de atenção identificado pela pesquisa está relacionado ao bem-estar emocional. Embora 56,1% afirmem praticar atividades voltadas ao cuidado emocional, 43,9% dizem não realizar ações com essa finalidade. O cansaço também aparece entre as principais dificuldades para conciliar estudo e trabalho, citado por 36% dos entrevistados.
Aspectos socioeconômicos
No aspecto socioeconômico, a pesquisa aponta que 73,7% dos aprendizes pertencem a famílias com renda de até três salários mínimos, reforçando o papel da aprendizagem como instrumento de inclusão produtiva e transformação social. Para muitos jovens, a oportunidade representa não apenas experiência profissional, mas também apoio à renda familiar e ampliação das perspectivas de futuro.
No campo social, os dados mostram forte presença de vínculos familiares e comunitários. Cerca de 79,7% dos jovens avaliam sua relação familiar como boa ou muito boa, enquanto 90% afirmam sentir apoio total ou parcial dos amigos em relação aos seus objetivos profissionais e pessoais.
Qualificação e tecnologia
O levantamento também revela os desafios de adaptação às novas exigências do mercado de trabalho. Quase metade dos jovens (46,5%) não realiza cursos extras ou treinamentos complementares, mesmo diante da crescente demanda por atualização técnica e competências digitais.
Ainda assim, a Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina dos aprendizes: 33,7% afirmam utilizar ferramentas de IA frequentemente, enquanto 52,3% dizem usar a tecnologia às vezes no dia a dia. O que a pesquisa demonstra, porém, é a preocupação dos jovens com os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, apontada por 72,3% dos entrevistados.
Além disso, mesmo com o acesso cada vez mais facilitado às ferramentas digitais, 60,6% reconhecem possuir domínio parcial ou nenhum sobre ferramentas tecnológicas. A pesquisa completa pode ser conferida pelo site cieers.org.br.
Sobre o programa de aprendizagem do CIEE-RS — O programa combina formação teórica e experiência prática no ambiente de trabalho, preparando adolescentes e jovens para os desafios do mundo profissional. Por meio do IDEA — Inovação, Desenvolvimento, Educação e Aprendizagem — os participantes desenvolvem competências técnicas, socioemocionais e habilidades valorizadas pelo mercado, ampliando oportunidades de inclusão produtiva, qualificação e construção de projetos de vida.













