A tramitação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores de Fagundes Varela atingiu um ponto crucial. Em entrevista exclusiva à Rádio KOM FM e TV na manhã deste sábado, dia 30, o presidente do Poder Legislativo, Dair Luis Cortelini, e o presidente da comissão, vereador Volnei Cattivelli, detalharam a conclusão dos trabalhos e os desdobramentos do processo.
A investigação apurou a conduta do vereador Diego Russi, suspeito de utilizar recursos públicos para fins particulares. O foco da apuração é uma diária no valor de R$ 221,45, referente a uma viagem realizada no dia 17 de dezembro de 2025 para Porto Alegre. Na ocasião, o parlamentar teria alegado ter agendas com deputados estaduais na Assembleia Legislativa, mas não apresentou comprovação oficial de estada ou cumprimento dos compromissos institucionais.
Aprovação por unanimidade e os detalhes do relatório
Um dos fatos mais marcantes revelados na entrevista foi a votação do relatório final da CPI. O documento, elaborado com participação da relatora, vereadora Rafaela Benetti Molossi, e secretariado pela vereadora Marilene Ruy Cortellini, foi aprovado por unanimidade pela comissão. O desfecho técnico contou, inclusive, com o voto favorável do próprio vereador investigado, Diego Russi.
O relatório aponta que o cruzamento de dados com os gabinetes na capital gaúcha confirmou a ausência de registros das audiências justificadas para a liberação do valor. Com a falta de sustentação documental para a defesa, o colegiado apontou indícios de desvio de finalidade. Conforme Cattivelli, o relatório é estritamente técnico e baseado em fatos e ainda, a unanimidade na aprovação, incluindo o voto do próprio investigado, demonstra a solidez do trabalho conduzido pela comissão.
Próximos passos: Esfera judicial, consultoria e processo inédito
Diante da conclusão do relatório, as ações do Legislativo fagundense agora se dividem em duas frentes: a judicial externa e a política interna.
Envio ao Ministério Público: Além das medidas internas da Câmara, o relatório final e todo o calhamaço de dados e depoimentos coletados durante a investigação serão formalmente encaminhados ao Ministério Público (MP). Caberá ao órgão avaliar se há elementos para a abertura de uma ação civil por improbidade administrativa ou outras sanções na esfera judicial.
Consultoria Terceirizada: No âmbito do Legislativo, os próximos ritos processuais serão definidos com base em uma orientação jurídica contratada de forma terceirizada. O objetivo é contar com profissionais experientes e sem vínculos políticos locais, assegurando total distanciamento e imparcialidade.
Comissão de Ética: O parecer abre caminho para a criação de uma Comissão de Ética Independente dentro do parlamento para avaliar a conduta do vereador.
Fato Histórico: Dependendo do andamento jurídico e do parecer desta nova comissão, o caso pode resultar na possibilidade de cassação de mandato, um processo inédito na história do município de Fagundes Varela.
O presidente da Casa, Dair Luis Cortelini, reforçou que o foco do legislativo agora é o cumprimento rigoroso dos ritos legais. Segundo ele, foi buscado o amparo de uma assessoria jurídica externa exatamente para que o processo seja inquestionável. Ele comenta que é um momento sério para Fagundes Varela, e a Câmara vai agir com a responsabilidade que a comunidade espera.
O espaço do veículo de comunicação permanece aberto para manifestações oficiais por parte do vereador Diego Russi ou de sua defesa jurídica. O tema deve voltar ao expediente da próxima sessão ordinária do legislativo fagundense tendo em vista a criação da Comissão de Ética.
Confira o bate-papo na íntegra: