No coração da comunidade de Nossa Senhora da Saúde, o cenário tradicional das videiras e macieiras da Serra Gaúcha ganha cores vibrantes e formatos exóticos. É ali que o produtor Rafael Fantin decidiu apostar no “fruto do dragão”, transformando sua propriedade em uma referência regional para o cultivo da pitaya. A reportagem da KOM FM e TV foi conferir os detalhes da produção.
O que começou como um experimento hoje ocupa 2,5 hectares de área plantada, somando impressionantes 8 mil pés da fruta. O investimento de Fantin reflete uma tendência de diversificação agrícola que busca alta rentabilidade em espaços menores.





O Ciclo da Exótica: Do Plantio à Mesa
O sucesso da plantação em Antônio Prado não é obra do acaso. O cultivo da pitaya exige técnica, paciência e uma observação minuciosa do clima serrano.
1. O Plantio e a Estrutura
Diferente de outras culturas, a pitaya é uma cactácea trepadeira. Na propriedade de Rafael, os 8 mil pés são sustentados por palanques de concreto ou madeira, dispostos de forma a facilitar o manejo.
- Solo: Requer boa drenagem para evitar o apodrecimento das raízes.
- Adaptação: A planta se adaptou bem ao solo da comunidade de Santana, mostrando resistência, embora exija cuidado rigoroso com as geadas de inverno, comuns na região.
2. A Revolução na Polinização: Menos Sono, Mais Eficiência
Historicamente, a polinização da pitaya era um desafio logístico, já que as flores abrem à noite. No entanto, a família Fantin adotou um método inovador que protege o material genético da planta e humaniza o trabalho do produtor.
- O “Escudo” de Plástico: Ao entardecer, os produtores colocam copos plásticos sobre as flores prestes a abrir. O objetivo é estratégico: impedir que as abelhas e outros insetos retirem o pólen durante a noite ou nas primeiras horas da manhã.
- O Aspirador Automotivo: Com a luz do dia, o trabalho manual pesado foi substituído pela agilidade técnica. Utilizando um aspirador de pó automotivo, a equipe percorre os 8 mil pés sugando o pólen concentrado e protegido dentro das flores.
- Precisão Manual: Uma vez recolhido em grande quantidade, esse pólen é processado e levado de volta ao campo, onde cada flor é polinizada manualmente. Isso garante uma taxa de pegamento dos frutos muito próxima de 100%, evitando desperdícios e garantindo frutos de calibre comercial.
3. A Colheita e o Mercado
Quando os frutos atingem a coloração intensa — seja o rosa vibrante da casca ou o contraste com a polpa branca ou vermelha — chega a hora da colheita.
- Produtividade: Com 2,5 hectares, a escala de produção já permite o abastecimento de mercados locais e centros de distribuição maiores.
- Qualidade: O diferencial do fruto produzido em Antônio Prado está no Brix (teor de açúcar), favorecido pela amplitude térmica da Serra, que resulta em uma fruta mais doce e saborosa.
Diversificação e Futuro
Com o aumento da demanda por alimentos considerados “superfoods” (devido às propriedades antioxidantes da pitaya), a comunidade de Nossa Senhora da Saúde coloca Antônio Prado definitivamente no mapa das frutas exóticas do Rio Grande do Sul.
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