Na manhã deste sábado, dia 10 de outubro, a KOM FM e TV recebeu nos seus estúdios o médico veterinário Bruno Dall’Agnol, pesquisador do Centro de Pesquisa de Fruticultura de Veranópolis (Cefruti/DDPA) e especialista em sanidade e manejo de abelhas. Em uma entrevista esclarecedora, o especialista abordou o papel crucial desses polinizadores para o ecossistema, os impactos econômicos na agricultura e orientações práticas sobre o cultivo e manejo de colmeias.
Importância ambiental e impacto no agronegócio
Durante o bate-papo, Bruno ressaltou que as abelhas — tanto as apis (com ferrão) quanto as meliponas (sem ferrão/nativas) — são peças fundamentais para a segurança alimentar humana e para a sustentabilidade da agricultura. A polinização eficiente realizada por elas garante maior produtividade e qualidade nas lavouras, especialmente em culturas frutícolas marcantes da região da Serra Gaúcha, como a macieira e pêssego.
Diferenças entre espécies e diversidade de produtos
A entrevista também destacou a diferença entre as espécies com ferrão e as abelhas nativas sem ferrão (meliponicultura), criação que vem crescendo tanto na área rural quanto na urbana.
Além do mel tradicional, o especialista detalhou o potencial econômico e terapêutico dos produtos oriundos da colmeia, como o própolis e a geleia real, que abastecem a indústria de cosméticos, de medicamentos e de alimentação saudável.
Alerta sobre mortalidade e como evitar perdas nas colmeias
Um dos pontos mais críticos abordados foi o combate à mortandade de colônias. Bruno orientou que a mortandade excessiva pode estar associada ao uso inadequado de defensivos agrícolas, manejo incorreto, variações climáticas severas e falta de alimento em épocas de escassez floral.
Orientações em caso de mortandade:
- Notificação: Em casos suspeitos de contaminação ou intoxicação, o apicultor deve notificar imediatamente a Inspetoria de Defesa Agropecuária ou os órgãos ambientais locais para a coleta de amostras técnicas;
- Cuidados de manejo: Manter as colmeias nutridas em períodos de entressafra e estabelecer um diálogo transparente entre apicultores e agricultores vizinhos para aplicação consciente de produtos químicos nas lavouras;
- Sanidade: Monitorar constantemente a presença de pragas e ácaros que fragilizam o enxame.
Como iniciar na Apicultura e Meliponicultura
Para quem deseja iniciar na atividade — seja para produção comercial ou como hobby sustentável —, o pesquisador do Cefruti recomendou buscar capacitação técnica prévia através de cursos oferecidos por entidades como o Senar, Emater e associações apícolas regionais.
Iniciar com poucas caixas, adquirir equipamentos de proteção individual (EPI) adequados, escolher um local com boa oferta de florada e água potável, e entender a biologia de cada espécie são os passos fundamentais para garantir o sucesso e a longevidade do apiário.













