Um programa que começou com visitas a empresas e escolas para conscientizar homens a identificar possíveis comportamentos de violência evoluiu para o acolhimento e o atendimento psicossocial em Farroupilha.
A lei que institui o programa Eu Respeito foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores e será sancionada nesta terça-feira, dia 17, pelo prefeito Jonas Tomazini.
Desde o início do ano, quatro homens, que procuraram o serviço de forma espontânea, estão sendo atendidos por uma psicóloga e auxiliados a entender os motivos da impulsividade e das ações nocivas ao ambiente familiar.
— Não se trata de transformar o agressor em vítima. A vítima segue sendo quem sofreu os efeitos do comportamento do companheiro, seja no âmbito emocional, físico ou patrimonial. O propósito do atendimento vai no sentido de sensibilizar o homem, que percebe uma tendência de escalada da violência, para que por meio de um espaço de escuta empática e sem julgamentos tenha possibilidade de refletir e se responsabilizar por seu comportamento — explica a psicóloga e coordenadora da Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Eliane Veronese.
Por enquanto, o programa não recebe autores de violência doméstica ou encaminhados pela Justiça, por exemplo. No entanto, no futuro, segundo Eliane, o Eu Respeito pretende formar grupos de até 10 homens que vão promover a reflexão sobre masculinidade e machismo. São os chamados grupos restaurativos ou reflexivos, que criam espaços de educação e reabilitação baseados na Lei Maria da Penha. Com foco na responsabilização, eles promovem reflexões para prevenir a reincidência. Participações determinadas pela Justiça também poderão ocorrer.
— Não temos nenhum problema em atender homens com histórico de violência. Se o juiz ou a promotoria nos encaminhar, vamos atender como todo o cuidado para entender onde estamos entrando. O que eu vejo em comum entre eles é um histórico de violência na infância e uma conscientização de não querer repetir comportamentos. Todos dizem querer melhorar e amar as esposas. Nenhum deles transfere a responsabilidade e eles se dão conta de que o comportamento é disfuncional e crescente, mas que não conseguem sozinhos interrompê-lo, ainda que saibam, racionalmente, que estão errados.
Medida evita que projeto seja interrompido
Iniciativa do gabinete da primeira-dama, o programa Me Respeita foi o embrião da nova lei. Desde o ano passado, decidiu levar o debate a empresas e escolas. Sancioná-lo é, para o prefeito Jonas Tomazini, uma forma de manter o serviço independente de governos:
— As iniciativas, quando não previstas, podem se tornar transitórias. Não é para o agressor. Depois que acontecer, ele será tratado sobre as penas da lei. Estamos tratando aqui do antes, para preservar o relacionamento e a família. É um serviço que está disponível desde fevereiro e já teve uma repercussão positiva.
A partir desse ano, portanto, o programa, segundo a primeira-dama Juliane Lazzari Tomazini, terá três frentes: visitas a estabelecimentos comerciais e industriais, treinamentos e atendimento psicossocial.
— As instituições estão vendo a necessidade de treinar funcionários e, por isso, ampliamos as apresentações. Temos o Me Respeita Mirim que fará abordagens para alunos a partir do 6ºano e viemos com essa nova frente de tratamento masculino — ressalta.
Como participar
:: A iniciativa passa a integrar a rede municipal de Saúde e Assistência Social, sob agendamento.
:: Homens interessados em participar podem procurar diretamente o Centro de Atendimento Psicossocial, localizado na Rua Papa João XXIII, nº 640, ou entrar em contato pelos telefones (54) 3268-6877 ou (54) 99610-8389.
Fonte: Pioneiro/GZH