De novos remédios para perda de peso a tratamentos para Alzheimer e vacinas, 2026 deve ser um ano com uma série de novidades no campo da medicina. Resultados de estudos aguardados há anos e aprovações de medicamentos inéditos devem ampliar o leque de alternativas disponíveis para doenças de grande impacto populacional, como obesidade, diabetes e até mesmo câncer.
O cenário revela avanços tecnológicos das últimas décadas que, a passos largos, têm trazido possibilidades de tratamento antes impensáveis.
Emagrecimento
Na esteira do sucesso das injeções antiobesidade, em 2026 devem ser aprovadas as primeiras versões orais dos medicamentos, que prometem ampliar o acesso e facilitar o uso por aqueles que têm medo da agulha. Um dos mais aguardados é a orforgliprona, da Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro.
No estudo, o comprimido uma vez ao dia levou a uma perda de até 12,4% do peso após 72 semanas. O laboratório já disse esperar que o medicamento seja aprovado pelas agências reguladoras no ano que vem.
Novas opções injetáveis também devem chegar para se somar às terapias usadas hoje para perda de peso. Um deles é o CagriSema, da Novo Nordisk, mesma fabricante do Ozempic e do Wevovy. Ele une a semaglutida a uma molécula chamada cagrilintida, que atua de forma diferente. Os estudos mostraram uma redução de 22,7% do peso após 68 semanas, acima da observada com o Wegovy.
Também são esperados mais resultados de fase 3 e uma possível aprovação de uso da retatrutida, uma nova molécula da Eli Lilly que promete elevar ainda mais a perda de peso. Os testes indicaram uma redução de 28,7% em apenas 68 semanas, semelhante ao observado com a bariátrica.
A patente da semaglutida está prevista para cair em março do ano que vem no Brasil. Farmacêuticas como Hypera Pharma, Biomm, Eurofarma, EMS e até mesmo a Fiocruz já anunciaram planos de lançar versões similares e genéricas no país. O que deve ampliar a concorrência e levar à redução dos preços, já que genéricos, por exemplo, precisam ser 35% mais baratos.
Alzheimer
Há a previsão de resultados de drogas inéditas para tratar o Alzheimer. Enquanto os anticorpos atuais mais avançados atuam eliminando as placas de beta-amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro dos pacientes, há medicações direcionadas à tau, uma segunda proteína ligada ao diagnóstico.
Duas delas estão avançadas nos testes e receberam a designação de “fast track” da agência reguladora americana, a Food and Drug Administration (FDA), neste ano. Se demonstrarem um benefício, podem ser aprovadas antes mesmo do fim dos testes devido à gravidade do diagnóstico e às alternativas limitadas.
Há ainda a previsão de dados sobre o remternetug, um novo anticorpo antiamiloide da Eli Lilly. No entanto, o neurologista afirma que a eficácia provavelmente será semelhante à do donanemabe, que já está disponível. Um benefício, porém, é que o remternetug está sendo avaliado de forma subcutânea, o que pode facilitar o uso e reduzir efeitos relacionados à infusão.
Diabetes
Em 2026, o laboratório Vertex planeja submeter às agências reguladoras o pedido de aprovação para o zimislecel, uma terapia inédita com células-tronco para diabetes tipo 1 que, com uma injeção única, levou alguns casos específicos da doença a não precisarem mais de insulina nos estudos.
Câncer
O laboratório alemão BioNTech e o americano Moderna, pioneiros nas vacinas de Covid-19 de RNA mensageiro (RNAm), já anunciaram planos de começar a submeter doses feitas com a tecnologia para uso no tratamento do câncer em 2026. A maior expectativa é em relação aos dados da fase 3 da vacina contra melanoma, tipo de câncer de pele mais letal, da Moderna. Nas etapas anteriores, a dose junto a um imunoterápico reduziu em 49% o risco de morte ou recorrência, e em 62% o de morte ou metástase.
Insônia
Em 2026, deve chegar ao mercado brasileiro um tratamento inédito contra a insônia: o medicamento lemborexante, vendido sob o nome comercial de Dayvigo pela farmacêutica japonesa Eisai. O remédio foi aprovado pela Anvisa neste ano e conta com um mecanismo de ação inédito para combater as noites em claro, que se acredita gerar menos quadros de dependência do que os benzodiazepínicos e as drogas Z.
Vacinas
Para este ano estão previstas novas vacinas para a dengue e Covid-19. Para a primeira, um acordo com uma farmacêutica chinesa possibilitará a produção de 40 milhões de doses.
Já a vacina contra a Covid-19 SpiN-TEC, desenvolvida pelo CTVacinas/UFMG com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), deve entrar na última fase dos estudos clínicos. Será a primeira vacina 100% desenvolvida no Brasil a avançar para essa etapa — não apenas contra a Covid, mas contra qualquer doença.