O dia 24 de fevereiro de 1932 não é apenas um registro no calendário, mas o símbolo de uma ruptura histórica. Foi o dia em que o Código Eleitoral Brasileiro finalmente reconheceu que o destino da nação também deveria ser escrito por mãos femininas. Hoje, ao celebrarmos quase um século dessa conquista, olhamos para trás para honrar as pioneiras e para frente para entender os desafios que a democracia ainda impõe às mulheres.
No Brasil: O marco de 1932
O direito de votar e ser votada foi garantido nacionalmente pelo Código Eleitoral de 1932, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.
- Pioneirismo Potiguar: Antes da lei nacional, o Rio Grande do Norte foi o estado pioneiro. Em 1927, Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira mulher a votar no Brasil, aproveitando uma brecha na lei estadual.
- A Luta Sufragista: O movimento ganhou força nos anos 20, liderado por nomes como Bertha Lutz (bióloga e fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino) e Maria Lacerda de Moura.
- Restrições Iniciais: No começo, o voto era facultativo e muitas vezes dependia da autorização do marido. A igualdade política plena e a obrigatoriedade do voto para as mulheres só vieram com o Código Eleitoral de 1965.
No Mundo: Quem começou?
A luta pelo sufrágio feminino foi um movimento global que variou muito de país para país:
| País | Ano | Contexto |
| Nova Zelândia | 1893 | O primeiro país do mundo a garantir o voto feminino. |
| Finlândia | 1906 | Primeiro país da Europa a permitir o voto e também a candidatura de mulheres. |
| Reino Unido | 1918/1928 | Inicialmente apenas para mulheres acima de 30 anos com propriedades; universal em 1928. |
| Estados Unidos | 1920 | Através da 19ª Emenda à Constituição. |
| Suíça | 1971 | Um dos últimos países europeus a conceder o direito em nível federal. |
A Força Gaúcha na Luta pelo Sufrágio
Embora o Rio Grande do Norte tenha registrado o primeiro voto feminino (Celina Guimarães Viana, em 1927), o Rio Grande do Sul foi um dos estados onde a mobilização mais ferveu.
- Pioneirismo Político: O estado foi berço de mulheres que desafiaram as normas da época. Enquanto o movimento sufragista de Bertha Lutz ganhava o centro do país, no Sul, a organização feminina em cidades como Porto Alegre e Pelotas pressionava a elite política da República Velha.
- A Primeira Prefeita: Pouco tempo após a conquista do voto, o Rio Grande do Sul elegeu em 1936, na cidade de Garibaldi, a primeira prefeita do estado (e uma das primeiras do país): Adélia Bin.
- Conexão com GZH e Correio do Povo: Naquela época, os jornais gaúchos já estampavam o debate intenso entre os conservadores e as “sufragistas”, que usavam as páginas de opinião para exigir igualdade plena.
As Protagonistas da Mudança
Para entender como chegamos até aqui, precisamos citar nomes que enfrentaram o preconceito de uma sociedade que acreditava que “política não era lugar de mulher”:
- Bertha Lutz: A bióloga que fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e foi a maior articuladora política do movimento no Rio de Janeiro.
- Maria Lacerda de Moura: Escritora e anarquista que trazia uma visão ainda mais radical sobre a emancipação feminina.
- Natércia da Silveira: Gaúcha e filha de um influente político, ela foi uma das fundadoras da Aliança Nacional de Mulheres e teve papel crucial na pressão sobre o governo Vargas.
O Cenário Atual: O Voto virou Representação?
Apesar de serem 52% do eleitorado brasileiro, a presença das mulheres nos espaços de decisão ainda é desproporcional. No Rio Grande do Sul, portais como o GZH e Correio do Povo frequentemente destacam a baixa ocupação feminina na Assembleia Legislativa e nas prefeituras do interior.
“O voto foi o primeiro passo; a representatividade é a longa caminhada que ainda estamos trilhando.”
Para refletir e compartilhar:
O direito conquistado em 1932 não foi um “presente” do governo, mas uma vitória arrancada através de muita persistência. Hoje, ao votar, cada brasileira carrega consigo o esforço daquelas que, há 94 anos, sequer podiam entrar em uma seção eleitoral.