A Câmara Municipal de Fagundes Varela decidiu, por unanimidade, instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o vereador Diego Russi por suspeita de uso indevido de recursos públicos. A deliberação ocorreu na sessão ordinária realizada na noite de quinta-feira, dia 19.
A investigação tem como foco o pagamento de diária para deslocamento a Porto Alegre. De acordo com o requerimento apresentado em plenário, o vereador teria solicitado o benefício para cumprir agenda institucional na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde participaria de reuniões com deputados estaduais.
Contudo, informações anexadas ao pedido de abertura da CPI apontam que, na mesma data, o parlamentar teria sido visto nas dependências do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, supostamente tratando da aquisição de direitos vinculados a um atleta. Fotografias e mensagens compartilhadas em aplicativos de comunicação teriam embasado as denúncias.
O documento também relata que o vereador apresentou comprovante de presença na Assembleia Legislativa como justificativa para o recebimento da diária. Diante das divergências entre os registros e as imagens divulgadas, o então presidente da Câmara em 2025, Volnei Cativelli (MDB), encaminhou ofício ao Parlamento estadual solicitando confirmação oficial sobre eventual ingresso do vereador no prédio naquela data.
A Assembleia, em resposta oficial, informou não haver registro de entrada do parlamentar pelos acessos monitorados eletronicamente no dia mencionado, mas destacou que existem entradas alternativas sem controle digital.
Segundo o texto que fundamenta a CPI, caso as suspeitas sejam confirmadas, a conduta poderá configurar infração administrativa, uso irregular de recursos públicos e descumprimento de deveres inerentes ao mandato eletivo.
Com a criação oficial da comissão, os trabalhos deverão começar no prazo máximo de cinco dias. O grupo terá 60 dias úteis para concluir as apurações e apresentar relatório final, prazo que poderá ser prorrogado por mais 30 dias mediante justificativa.
Em razão de o vereador investigado ser filiado ao Progressistas, a composição da CPI será formada exclusivamente por parlamentares de outras siglas. A presidência ficará a cargo de Volnei Cativelli (MDB), a secretaria será exercida por Marilene Ruy Cortellini (PDT) e a relatoria caberá a Rafaela Benetti Molossi (MDB).
A comissão terá poderes para requisitar documentos, convocar testemunhas e analisar registros oficiais. Ao final dos trabalhos, o relatório poderá indicar medidas administrativas e regimentais, conforme as conclusões alcançadas.